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Caro(a) Amigo(a) do MAH,


O Museu de Angra do Heroísmo enriquece a sua exposição de longa duração com a inauguração da Sala Vergílio Schneider, a 20 de outubro, pelas 21h00, no Edifício de São Francisco. Um espaço expositivo, dedicado à coleção do conceituado cardiologista radicado nesta cidade, onde as peças em marfim de cunho indo-português, originadas no contexto geográfico-temporal da Expansão Portuguesa, se destacam, como é o caso das arquetas namban e lacados do país do Sol Nascente; de referir, ainda, os alabastros medievais ingleses, na sua maioria esculpidos em Nottingham; e a estatuária religiosa, de mestria flamenga, como a das oficinas de Malines.


A Sala Vergílio Schneider | Uma Vida, Uma Coleção é uma exposição que, por possibilitar a visualização de técnicas e influências artísticas capazes de transpor limites geográficos e civilizacionais, é também reflexo das multiculturalidades que compuseram a presença portuguesa no mundo de quinhentos e seiscentos.


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Vergílio Schneider Guimarães, a par do exercício de Medicina, dedicou quase 40 anos da sua vida ao colecionismo, pelo qual é amplamente reconhecido. Natural da cidade do Porto, cresceu no seio de uma família da pequena burguesia, nos anos 50. Durante o seu percurso escolar, revela-se um aluno brilhante, acabando por integrar o ensino avançado do Liceu Alexandre Herculano. Apesar de mostrar uma clara inclinação para as ciências sociais e humanas, surpreende professores e familiares ao ingressar na Faculdade de Medicina do Porto, em 1970, com apenas 16 anos. Nesse período, para assegurar os seus estudos, chega a lecionar no ciclo preparatório e ensino secundário. Em 1976, forma-se em Medicina e Cirurgia e, quatro anos depois, imbuído no espírito quinhentista dos Descobrimentos, parte para os Açores. É no contexto do Sismo de 80, que Vergílio Schneider decide fixar residência na Ilha Terceira. Na sequência da calamidade de 1 de janeiro de 1980, cria um hospital de campanha no Liceu de Angra, equipado com camas militares e constituído por uma equipa de emergência, apoiada por alunos de enfermagem que recruta.

Desde muito novo que Vergílio Schneider foi revelando um gosto fora do comum pela história e pela apreciação dos objetos e arte em geral. No itinerário de qualquer viagem familiar ou entre amigos, os museus e antiquários encontravam-se sempre no topo da lista. A princípio, os seus parcos recursos inibiam-no de entrar em lojas e antiquários, pelo que se limitava a observar pela montra desses estabelecimentos.

Já em terras insulares, na sua formação de colecionador, sobressai um mentor, Francisco Ernesto de Oliveira Martins, figura incontornável na história da Arte nos Açores. Com ele passaria longos serões, rodeado de esculturas, pinturas, faianças, porcelanas da China e prataria, a partilhar impressões, histórias e conhecimento sobre as peças, pelas quais se apaixona.

À medida que vai tendo possibilidades económicas, vai também adquirindo peças e objetos para a sua coleção. Realiza inúmeras viagens ao Oriente - China, Tailândia e, sobretudo, Índia -, onde percebe melhor a expansão do mundo português, os Descobrimentos e o impacto e influência do mundo asiático nos objetos de arte e mobiliário português e, por sua vez, na influência que o contacto dos portugueses imprimiu nos objetos orientais que por lá vai adquirindo.

Assinatura2023Isabel
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